DOPAMINA – O VÍCIO CONTEMPORÂNEO
- Agatha Lemos

- 27 de nov. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 30 de dez. de 2025

Que tipo de estímulos têm feito a sua cabeça?
Você já ouviu falar do Vale do Silício, em São Francisco, na Califórnia? É bem provável que sim, pois de lá sai praticamente toda a tecnologia que consumimos. Startups e empresas globais de tecnologia, como Apple, Meta e Google estão instaladas naquela região, com profissionais de alta tecnologia, engenheiros e cientistas.
Recentemente, uma tendência tomou conta de lá: o jejum de dopamina, ou seja, desconectar-se dos estímulos externos a fim de reduzir os níveis de dopamina (neurotransmissor que aumenta a motivação e promove satisfação quando liberado) no cérebro. Para quebrar a busca cada vez maior por estímulos, o jejum de dopamina funciona assim: você avisa que em determinados dias não estará disponível e limita o seu uso de telas. Isso significa que não usará celular ou nenhuma outra tecnologia que possa impulsionar o sistema dopaminérgico.
Normalmente, quem pratica jejum de dopamina passa mais tempo em meio à natureza, medita, escolhe uma dieta saudável e se abstém de álcool. As mentes brilhantes do Vale do Silício garantem que o jejum de dopamina melhora o humor, a produtividade e o foco, além de organizar o senso de prazer. Até quem produz tecnologia sabe que também é necessário se desconectar.
Sobre a importância de um tempo "desconectado”, estudiosos do campo da saúde alertam sobre o fato de que o contexto em que estamos inseridos, isto é, do consumo de dopamina barata – produzida por elementos altamente estimulantes e não de modo natural – tem aumentado os distúrbios e transtornos mentais. A ansiedade, por exemplo, é uma das maiores consequências resultantes dos excessos de dopamina (Veja o quadro "Dopamina barata x dopamina de verdade").
Trazendo esta tendência para a vida comum, de pessoas comuns, o que podemos fazer para diminuir os níveis de estímulos superficiais que têm afetado nossa qualidade de vida e equilíbrio mental?
Quadro Dopamina barata x dopamina de verdade
Dopamina barata Ciclo de dependência e insatisfação | Dopamina de verdade Resultado de domínio próprio |
Álcool e outras drogas | Cozinhar |
Nicotina | Praticar exercícios físicos |
Compras impulsivas | Levantar peso |
Fast food | Ler |
Jogos eletrônicos | Meditar |
Redes sociais | Perseguir metas |
Maratonar séries | Criar bons hábitos |
Entenda
A dopamina considerada barata tem a característica de ser adquirida fácil e rapidamente. Contudo, seu efeito é breve, gerando novas e até maiores demandas de doses para a mesma sensação de prazer. É por isso que a dopamina barata sempre vem acompanhada de ansiedade e culpa, pois, normalmente, ela já se tornou um tipo de vício.
A dopamina de verdade, orgânica, necessária para o bem-estar integral é produzida por outros meios, os quais podem exigir disciplina, esforço e contemplação. A conquista é gradual, porém, sólida, oferecendo benefícios duradouros.
E, aí, qual delas faz a sua cabeça?
Ágatha Lemos | Jornalista e mestre em Ciência
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