IN NATURA É MELHOR
- Agatha Lemos

- 30 de dez. de 2025
- 3 min de leitura

A alimentação natural e o despertar quanto ao consumo consciente dos industrializados
Sabor, preço, praticidade – esses são alguns dos fatores que definem o consumo alimentar da população brasileira. O brasileiro, diferentemente de outros povos, apresenta bastante miscigenação. A mistura de raças e culturas fez com a gastronomia do Brasil se tornasse conhecida não só pela variedade culinária, mas também pela forte presença de sabor. Sim. O sabor é um valor para nós.
No entanto, a correria do dia a dia nos impede de usar todos os dotes e talentos na cozinha. Muitas vezes, vencidos pelo cansaço, buscamos o sabor prático, ou seja, aquele entregue na porta de casa. E, quando estamos de folga, por exemplo, a ânsia por um pouco de aproveitamento do tempo acaba nos levando a escolher o que é mais fácil para o consumo imediato. A praticidade também se tornou um valor para o cidadão brasileiro.
Somado a isso, temos a questão do preço, que, mais do que nunca, impacta na decisão do que levar do supermercado.
Juntando esses três motivos, temos a explicação perfeita para o consumo de alimentos industrializados, e, por consequência, o aumento de algumas doenças, especialmente as crônicas não transmissíveis (pressão alta, diabetes, cardiovasculares e respiratórias, obesidade, câncer, etc.). "Temos dados que mostram que o consumo de alimentos pobres em nutrientes, ricos em calorias e ultraprocessados nos países das Américas está diretamente relacionado a taxas crescentes de sobrepeso e obesidade”, disse Chessa Lutter, conselheira sênior da OPAS sobre Alimentos e Nutrição.
Felizmente, hoje em dia, muito já se fala da importância da alimentação saudável como pilar da longevidade com saúde. Podemos atribuir à circulação de informações sobre estilo de vida saudável um tipo de despertar para um consumo alimentar mais consciente.
No entanto, não basta querer se alimentar melhor. É preciso haver orientações que tornem acessíveis e sustentáveis essas mudanças, bem como políticas públicas que as incentivem, não somente de modo educativo, mas também no custo-benefício que elas demandam, afinal as limitações econômicas afetam a possibilidade da prática do consumo alimentar consciente. Conheça o Guia Alimentar para a população brasileira, acessando: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-brasil/publicacoes-para-promocao-a-saude/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf/view.
A doutora em Ciências dos Alimentos pela Universidade de São Paulo, Renata Cintra, explica que: “O ideal é que o alimento in natura venha a se tornar mais presente nos pratos dos brasileiros. Nesse caso, além de benefícios à qualidade de vida da população, seria possível experimentar também impactos sociais positivos, em escala micro e macro. Por exemplo, o Programa Nacional de Alimentação Escolar, que determina que 30% da merenda das escolas deve provir do comércio local, gera renda para produtores locais, reduz o uso de embalagens e diminui o custo ambiental”, destaca. (Leia a entrevista completa dela no Jornal da Unesp: https://jornal.unesp.br/2024/01/11/a-popularidade-dos-alimentos-ultraprocessados-e-os-desafios-de-assegurar-alimentacao-saudavel-para-a-populacao-brasileira/).
Alimentos processados e OPAS/OMS
A Organização Pan-Americana da Saúde (Organização Mundial da Saúde) desenvolveu um modelo para identificar alimentos com excesso de açúcar, sal e gorduras, e essa classificação serve de base para a rotulagem nutricional de advertência no Brasil, como os selos "alto em" na parte frontal das embalagens, determinado pela Anvisa. Esses selos alertam o consumidor sobre produtos que ultrapassam os limites recomendados para nutrientes como sódio, gordura saturada e açúcar.
Alimentos In natura | Alimentos Industrializados/Ultraprocessados |
São obtidos diretamente de plantas ou animais sem passar por qualquer alteração após deixar a natureza. | Os industrializados são feitos de substâncias extraídas de gorduras, açúcar, amido e proteínas. Já os ultraprocessados são obtidos por reações químicas a partir de componentes de alimentos, e substâncias sintetizadas em laboratório: aromatizantes, corantes, realçadores de sabor e vários tipos de aditivos usados para dotar os produtos de propriedades sensoriais atraentes. |
Exemplos: Legumes, verduras, tubérculos, castanhas, nozes, carne bovina, aves, pescados frescos. | Exemplos: Industrializados: queijos, pães, sardinhas enlatadas, frutas em calda e frutas cristalizadas. Ultraprocessados: refrigerantes, biscoitos recheados, macarrão instantâneo, salgadinhos, embutidos (presunto, salsicha, salame), sorvetes e pães de forma. |
Dicas para uma alimentação mais In natura
Priorize o que é natural: Dê preferência a frutas, verduras, legumes, grãos integrais e proteínas frescas.
Leia os rótulos: Verifique a lista de ingredientes para identificar açúcares adicionados e outros componentes artificiais.
Cozinhe em casa: Isso permite controlar a quantidade de sódio, açúcar e gordura usada nas refeições e reduzir o desperdício.
Planeje suas compras: Fazer uma lista de alimentos frescos ajuda a evitar compras por impulso de produtos industrializados.
Substitua: Em vez de lanches açucarados, opte por frutas, vegetais crus ou preparações caseiras mais saudáveis.
Hidrate-se.
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Ágatha Lemos | Jornalista e mestre em Ciência
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